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III Gramado in Concert segue com programação intensa e muitas histórias para contar

Linus Lerner 
Crédito: Rafael Cavalli 

Terceira edição do evento emocionou público do Instituto Santíssima Trindade e reúne talentos de diferentes gerações
Chegando aos seus últimos dias de programação, o III Gramado in Concert segue escrevendo muitas histórias. Entre a extensa e intensa programação gratuita que se espalhou por diversos pontos da cidade de Gramado, uma chama a atenção: a apresentação realizada no Instituto Santíssima Trindade, na última segunda-feira (06). É quase na divisa com o município vizinho de Três Coroas que está o centenário Instituto Em meio à natureza, dois prédios antigos abrigam crianças, adolescentes e idosos que vivem na instituição. Com o Gramado in Concert, o pátio do Instituto se transformou em palco improvisado para o concerto do Quinteto de Sopros Austro, cuja apresentação foi marcada pela emoção e interação do público, curioso a cada explicação sobre as peças e os próprios instrumentos.
Os músicos seguiram seu protocolo até onde conseguiram. Para atender pedidos especiais e o “bis” precisaram improvisar, tocando músicas que não estavam no repertório inicial. Ao final ainda receberam abraços de agradecimento e atenderam a crianças curiosas que pediram para encostar nos instrumentos. Cecilia Percheron, 66 anos, chegou na instituição com apenas 11 anos e hoje administra o Instituto Santíssima Trindade ao lado do marido, o pastor Tealmo Percheron. Ela era uma das cerca de 40 pessoas que acompanharam a apresentação emocionadas. “Eu fiquei encantada. Agradeço muito a eles, espero que venham no ano que vem de novo”.
Mas nem todos puderam acompanhar de perto. Quando os músicos perceberam que parte do público não conseguiu sair do prédio, o concerto continuou, desta vez do lado de dentro do Instituto. Lá estava Dona Lina, uma das mais antigas moradoras do lugar que assistiu animada pela janela a apresentação no pátio. Com 90 anos e dificuldades para se locomover - ela precisa da ajuda de um andador para caminhar -, ela emocionou quem acompanhou a segunda parte da apresentação. Moradora da instituição há 77 anos, ela já tem dificuldades para falar, e quando consegue, só fala alemão. O que não foi problema para expressar sua alegria em assistir um concerto de música ao vivo. Batendo palmas e sorrindo todo o tempo, a Vó das Bonecas, como é conhecida, mostrou que a música é mesmo pura inspiração.
20 anos de idade e 17 de violino
Além de proporcionar concertos e recitais de música clássica de forma gratuita na cidade, o Gramado in Concert também é um grande encontro entre jovens músicos. São 283 estudantes que participam de aulas e práticas de orquestra sob a orientação de professores qualificados selecionados especialmente para o evento. Entre tantas histórias, está a do violinista Jessé Xavier Reis, 20 anos. Ele foi escolhido para ser o Spalla (primeiro violino) da Orquestra Sinfônica do Festival, grupo que é formado por alunos de auto nível entre os inscritos.
A responsabilidade e o lugar de destaque que ele ocupará no evento não são novidade para o jovem músico. Natural de São Paulo, ele iniciou seus estudos na música clássica com apenas três anos de idade, influenciado pelo pai e tio, também violinistas. “Um dia eu fiz aniversário e o meu pai perguntou se eu queria um videogame ou um violino, eu escolhi um violino”, brinca. De lá para cá foram muitos anos dedicando-se ao estudo teórico da música e aperfeiçoamento da técnica, garantindo participações em programas de televisão em diferentes canais e garantindo títulos em competições com desempenhos acima da média. Sua última conquista foi o “Prelúdio”, concurso de música clássica promovido pela TV Cultura onde o prêmio foi uma bolsa de estudo de três anos na Academia Franz Liszt, em Budapeste.
Com uma rotina de três a quatro horas em média de dedicação à música por dia, o jovem violinista estreia sua participação no III Gramado in Concert em grande estilo, com reconhecimento de gente grande. “Quando os músicos aplicam para um festival deste tipo eles precisam enviar um vídeo tocando e depois a seleção é feita em audições em que eles tocam ao vivo para os professores. No caso dele a seleção foi feita não somente porque ele está bastante avançado, mas também porque ele já conhece o repertório que demanda um solo bastante difícil da parte do Spalla”, explica o diretor artístico e maestro gaúcho Linus Lerner. A Orquestra Sinfônica do Festival ensaia todas as tardes e o resultado desse trabalho poderá ser conferido no concerto do dia 11, às 19h, no ExpoGramado.
Vida de maestro
Nascido em Novo Hamburgo, mas hoje radicados nos Estados Unidos, Linus Lerner traz ao Gramado in Concert uma vasta bagagem como regente. Diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Sul do Arizona (EUA) e da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (Brasil), o gaúcho também assina pelo terceiro ano consecutivo a direção do Gramado in Concert, o festival internacional de música da cidade gaúcha. Na Serra, comanda o evento, rege apresentações e ainda dá aulas para alunos de diversos pontos do Brasil. Mas, segundo ele, antes de buscar a formação em regência, é preciso ter a dimensão da função. “Muita gente da nova geração não tem a mínima ideia de como funciona a vida de um maestro. Além da parte musical, precisamos ser psicólogos, pais, irmãos, entender da dinâmica de pessoas e de liderança sem tolher o trabalho e o talento de cada músico. O maestro é aquele que também vai nas reuniões, busca dinheiro, conversa com a plateia. Não é só conhecer música. Tem que saber até de política! Ou seja, primeiramente, se você é tímido, mude de profissão!”, adianta Lerner.
A primeira vez que o gaúcho esteve à frente de uma orquestra foi aos 17 anos. Antes de ser cantor, Lerner já era mestro – e tudo começou por acaso. “Eu tinha um grupo de violões que não conseguia tocar junto sem alguém reger. Então deixei de tocar para ir à frente reger. Funcionou, e, após fazer um bacharelado em regência, voltar a cantar e ir aos Estados Unidos em função disso, chegou um tempo em que percebi que ser maestro era o que eu realmente queria para a minha vida”, lembra. Influenciador de tudo o que acontece em uma orquestra, o maestro se comunica a partir de uma linguagem não-verbal. É um profissional que, segundo Lerner, tem poder muito grande na questão do fraseado, da interpretação, do tempo, do estilo e da velocidade que ele trabalha. “Não existem maestros iguais. Interpretar Mozart, Beethoven ou Tchaikovsky sempre será diferente”, indica.
Ao conduzir uma orquestra, Linus gosta de trabalhar a partir de um pensamento de Marin Alsop, a regente titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Para Alsop, um maestro não deve discutir termos técnicos porque está à frente de grandes músicos e sim conversar filosoficamente sobre o que querem alcançar com cada interpretação. “O maestro tem um poder muito grande de criação. Às vezes, você só aperta a batuta e já está fazendo algo diferente, o que é algo que quase ninguém vê. Podemos reger com expressões mais faciais, com os olhos, interpretando mesmo a música. Nós vemos o todo, enquanto os músicos enxergam apenas a linha de seu instrumento na partitura. Nenhum gesto de maestro pode ser subestimado”, afirma Lerner.
O gaúcho diz apreciar obras mais desafiadoras do ponto de vista de regência, como “A Sagração da Primavera”, de Stravinsky, ou o “Concerto para Violino”, de Sibelius, muito usado em concursos para maestro. Todo o contato e experiência de Lerner com a profissão poderão ser vistos novamente no sábado (11), quando, mais uma vez, ele sobe ao palco da ExpoGramado, às 19h, com sua batuta de fibra branca, para conduzir a Orquestra Sinfônica do Festival em obras como “A Força do Destino”, de Giuseppe Verdi, “Sheherazade”, de Nikolai Rimsky-Korsakov, e “Volátil”, a composição vencedora do Concurso de Música Erudita do III Gramado in Concert, assinada por Daniel Lumertz. Dadas a dedicação e a paixão de Lerner pelo ofício, podemos esperar mais um grande espetáculo. Da orquestra e, claro, de seu maestro.
Encerramento da Programação
O III Gramado in Concert termina no próximo domingo (12) – e em grande estilo: a Orquestra Juvenil de Sodre, do Uruguai, se apresenta mais uma vez, agora na Rua Coberta, a partir das 11h. Até lá, o evento segue com programações em diversos pontos de Gramado, entre eles o Lago Negro, a Rua Coberta, a Igreja Matriz São Pedro e o Hotel Master Premium. A programação completa pode ser conferida no site oficial do evento: www.gramadoinconcert.com.br.
Ministério da Cultura, Secretaria Estadual da Cultura e CORSAN apresentam III Gramado in Concert - Festival Internacional de Música. Patrocínio: Snowland e Mundo de Chocolate. Copatrocínio: Cielo. Transportadora oficial: Avianca. Hotel oficial: Master Hotéis. Apoio: Forest Decor, Coca-Cola, Rasen Bier, Tomasini, Abrasel e FAURGS. Apoio institucional: Orquesta Sinfônica de Gramado, Secretaria de Cultura de Gramado e Gramadotur. Agente Cultural: Bis Gestão. Parceiro: Eurochestries. Financiamento: Pró-cultura RS, Governo do Estado do Rio Grande do Sul e Lei de Incentivo à Cultura. Realização: Secretaria de Turismo de Gramado, Ministério da Cultura e Brasil - Governo Federal.

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