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O crescimento do turismo de aventura no Brasil e os desafios da segurança dos praticantes
Por Thais Medina
A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, trouxe novamente para o centro do debate um tema que acompanha a evolução do turismo de aventura: a segurança

Thais Medina. Foto: Divulgação 

Como profissional do turismo e sendo eu mesma uma grande entusiasta deste tipo de experiências, acompanho há anos uma transformação importante no comportamento dos viajantes. Viajar deixou de ser apenas visitar um destino. Cada vez mais, as pessoas buscam vivências capazes de gerar memórias e conexão com os lugares visitados. Essa mudança também pode ser observada nos números. Um levantamento do Ministério do Turismo de 2025 mostra que o turismo de aventura está entre os segmentos que mais crescem no país, representando 13% da preferência nacional e chegando a 22% entre jovens de 16 a 24 anos. O dado ajuda a explicar por que atividades ligadas à natureza, esportes e experiências ao ar livre passaram a ocupar espaço cada vez maior nos roteiros de viagem. O potencial desse segmento também é reconhecido internacionalmente. No ano passado, a US News & World Report colocou o Brasil como o melhor destino do mundo para o turismo de aventura, à frente de países tradicionalmente associados ao segmento, como Itália, Grécia, Espanha e Tailândia. Esse crescimento é positivo para o turismo brasileiro, mas também exige uma reflexão sobre a responsabilidade de todos os envolvidos na indústria de viagens. Quando alguém contrata uma atividade de aventura, deposita confiança em profissionais, equipamentos, protocolos e processos. Existe uma expectativa legítima de que todas as etapas tenham sido planejadas, executadas e conferidas para reduzir riscos e preservar a integridade dos participantes. Como aventureira nata, faço e já fiz trilhas na natureza, explorei cavernas, me diverti em cascading, quadriciclo, balonismo, romaria por montanhas, rafting, safáris, expedições de 4x4 pelo Brasil e para outros países, off-road em diversas modalidades e, meu queridinho, rallies. E o cuidado deve ser sempre o mesmo:

(1) Realize sua compra com agente de viagens de confiança.
(2) Pesquise muito bem sobre a empresa ou guia que o acompanhará. Veja avaliações e comentários no Tripadvisor, Google, redes sociais, Reclame Aqui.
(3) Confirme se há seguro e quais situações cobre.
(4) Verifique se os equipamentos são adequados, como capacetes, colete salva-vidas, mosquetão, cadeirinhas, entre outros.
(5) Entenda o nível de dificuldade e pergunte sobre distâncias, duração, esforço físico, altitude, correnteza, exposição ao sol, trilhas, subidas e descidas.
(6) Informe suas condições de saúde.
(7) Siga as orientações do instrutor e não se afaste do grupo.
(8) Use o equipamento de segurança o tempo todo.
(9) Respeite os seus limites.
(10) Evite álcool antes e durante.

É importante lembrar que nenhuma atividade de aventura é totalmente isenta de risco. O próprio conceito dessas experiências envolve desafios físicos e emocionais em contato com ambientes naturais. Mas o que diferencia uma operação responsável é justamente a existência de procedimentos claros, equipes capacitadas, manutenção constante dos equipamentos e cumprimento rigoroso das normas de segurança. O caso de Limeira chama atenção porque as informações divulgadas até agora apontam para uma falha em uma etapa considerada básica do processo. A própria Ponte do Esqueleto, onde a atividade ocorreu, já registra histórico de acidentes, incluindo a morte de um ciclista em 2024, o que reforça a discussão sobre uso do espaço e a necessidade de fiscalização contínua. Independentemente das conclusões finais da investigação, a tragédia reforça a importância de protocolos que não dependam exclusivamente da atenção de uma pessoa, mas que contem com mecanismos de conferência e validação capazes de reduzir a possibilidade de erro.

Viajar é, em essência, um exercício de confiança. Confiamos em quem organiza o roteiro, em quem conduz a atividade, em quem opera o equipamento e em tudo o que sustenta a experiência fora do nosso controle direto. Mas pode e deve haver espaço para escolhas mais conscientes. Não hesite em perguntar sobre certificações e treinamentos, afinal isso faz parte natural do processo de decisão. E é tão importante quanto, no momento da atividade, olhar e perguntar se está tudo realmente conferido. O turismo de aventura continuará crescendo porque responde a uma demanda legítima por vivências que vão além do convencional. O desafio do setor é garantir que essa expansão aconteça acompanhada de profissionalização, legislação, fiscalização e cultura de segurança.

Sobre Thais Medina

Com mais de 20 anos de experiência em Marketing, Comunicação, Vendas e Estratégia para o Turismo, Thais Medina é CEO da agência de Marketing e representação de destinos Business Factory e professora na pós-graduação da Fundação Getulio Vargas e Senac-SP. Considerada entre os 100 mais poderosos do Turismo em 2023 pela Editora Panrotas, em 2024 recebeu o prêmio “Mulheres do Turismo Paulista” na categoria Revelação e o título de Top Brand Strategy Voice do LinkedIn, e em 2025 passou a figurar no ranking “20 Mulheres que escrevem o Turismo no Brasil” e ganhou o troféu “Amelia Earhart - Mulheres do Turismo” na categoria Comunicação. É jornalista e Master Coach, com MBAs em Marketing (FGV), Gestão Estratégica (USP) e Gestão de Empresas com técnicas de Coaching (SBC), e estudou Management na University of Ohio. 

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/thais-medina/

Edição por Rose Cecilia

Data de publicação desta Matéria 18-06-2026
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