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Juliana Salles (Resorts Brasil); Marcelo Picka Van Roey (Grande Hotel Senac); Thiago Borges (Vale Suiço Resort); Ana Biselli Aidar (Setur-SP); Felipe de Castro (Grupo Tauá); Alcione Albanesi (Amigos do Bem); e Lizete Ribeiro (Grupo Tauá). Crédito das Fotos: Resorts Brasil
Comitê de Qualidade da Resorts Brasil propõe
dinâmica colaborativa e reforça papel estratégico da experiência na operação
Qualidade:
da promessa à entrega eficiente. Quando estratégia, cultura e operação se
alinham para transformar o que se promete em uma experiência consistente e
percebida pelo cliente.
A construção de uma cultura de qualidade consistente, conectada à
estratégia e sustentada pela operação, foi o eixo central da condução de Trícia
Neves durante a dinâmica do Comitê de Qualidade no 4º Encontro de Gestores
Operacionais da Resorts Brasil. O comitê é formado por Suelen Ferreira,
Gerente de Gestão e Projetos da Amarante; Fernanda Cristina Carvalho,
Gerente de Qualidade CX & CS do Grupo Tauá; Dáthilla Almeida Silva Mello,
Gerente de Qualidade do Hot Beach Parques & Resorts; Marilia Ferraz,
Gerente de Integridade de Produtos & Branding da AHI; além de Mark
Campbell, Diretor da AHI e Conselheiro Honorário, tendo contado, nesta
edição, com a presença de Dáthilla, Mark e Fernanda.
Sócia da Mapie Consultoria, empresa especializada em comportamento, experiência e desenvolvimento de pessoas no turismo, Trícia Neves atua há mais de duas décadas no setor, conectando estratégia, operação e gestão de pessoas a partir de uma leitura aprofundada do comportamento humano.
Em sua fala, trouxe uma abordagem que reposiciona a qualidade como vetor
direto de resultado — e não apenas como instrumento de controle. “NPS alto
significa captura de valor. NPS baixo significa destruição de valor. A gente
compartilha indicadores, fala de experiência, de operação, de pessoas. Mas não
é só para dizer se foi bom ou ruim — é estratégia.”
A fala também trouxe à tona o papel da liderança na construção da
experiência: “O principal dono da experiência é o executivo. É ele quem precisa
desenhar a jornada e garantir que ela aconteça.” A dinâmica convidou os
participantes a uma construção ativa, organizada a partir de cinco pilares:
proposta de valor, cultura organizacional, liderança, gestão de processos e
gestão da experiência.
“Agora é a hora de parar de só escutar e começar a trocar.”
Ao longo do exercício, os grupos convergiram para decisões recorrentes:
fortalecimento da liderança, revisão da jornada do cliente e reorganização de
processos com maior alinhamento entre áreas.
“A decisão que chegamos foi fortalecer a liderança como primeiro ponto.
E o segundo foi a revisão da jornada do cliente. A primeira decisão foi
reorganizar processos e comunicação. E a segunda, estruturar uma jornada de
experiência bem definida.”
Também se destacou a necessidade de alinhar cultura e estratégia e
investir no desenvolvimento das equipes. “Entender se a cultura está alinhada
com a estratégia, treinar quem está na ponta e acompanhar se a experiência está
correspondendo à expectativa.
É fundamental investir em treinamento, valorização e empoderamento.”
Ao consolidar os aprendizados, Trícia reforçou a necessidade de ampliar
a leitura sobre os desafios operacionais: “A qualidade não vem de um único
fator. Ela é resultado de uma combinação de elementos interdependentes.”
No encerramento, a reflexão trouxe a prática para o centro da gestão: “Processos não são manuais guardados. São aquilo que a gente faz todos os dias.” E deixou uma provocação direta aos líderes: “O cliente é a soma das nossas decisões.”
A qualidade sob a ótica do cliente foi o eixo da apresentação de Bernardo Lião, da OnYou Cliente Oculto. Com quase 20 anos de atuação em inteligência de mercado e experiência do cliente, o executivo trouxe uma abordagem direta sobre como a percepção do hóspede impacta, de forma concreta, os resultados do negócio.
Ao longo da apresentação, Bernardo reforçou que a experiência não pode ser tratada como um elemento acessório da operação. “A experiência do hóspede é o maior driver de resultado”, afirmou. Segundo ele, ainda que vendas, infraestrutura e processos sejam fundamentais, é a experiência percebida que determina retorno, recomendação e disposição para pagar mais.
Um dos pontos centrais foi a responsabilidade compartilhada. “Todos são responsáveis por isso”, destacou, ao defender que a experiência do cliente não está concentrada em uma única área, mas depende da integração entre processos, cultura e liderança.
Bernardo também abordou a equação entre expectativa e percepção, destacando que a qualidade nasce dessa relação. Quando há desalinhamento, surgem as falhas; quando há consistência, cria-se valor. Nesse contexto, a escuta ativa — por meio de pesquisas, interações e acompanhamento contínuo — torna-se essencial para ajustes rápidos e melhoria constante.
Outro destaque foi o olhar sobre as reclamações, tratadas como fonte estratégica de informação. Para ele, o cliente que reclama ainda demonstra intenção de permanecer, oferecendo uma oportunidade real de recuperação da experiência.
Como síntese, Bernardo reforçou que gerir a experiência do cliente é uma decisão estratégica. Quando conduzida com método, consistência e foco na percepção do hóspede, a qualidade deixa de ser discurso e passa a gerar impacto direto nos resultados.
Se, ao longo da programação, a qualidade foi tratada como método e decisão de gestão, sua consequência se amplia para além da operação — alcançando o impacto que o setor pode gerar na vida das pessoas e nos territórios onde atua.
Do propósito à prática: quando a gestão ultrapassa a operação e se traduz em transformação real nos territórios
A presença de Alcione Albanesi, presidente da instituição Amigos do Bem, trouxe ao encontro uma dimensão concreta dessa transformação.
Empresária que transformou sua trajetória no setor privado em um legado social de grande escala, Alcione é representante do Pacto Global da ONU no Brasil no combate à pobreza e acumula reconhecimentos como o prêmio Executiva de Valor (2024 e 2025) e o Person of the Year, em Nova York, além de ter sido eleita uma das personalidades mais influentes da América Latina pela Bloomberg.
À frente da ONG Amigos do Bem, lidera mais de 11 mil voluntários em uma das maiores iniciativas sociais do país, com atuação estruturada no sertão nordestino.
Sua participação deslocou o olhar da eficiência operacional para o impacto real — evidenciando como gestão, quando orientada por propósito, pode transformar realidades e gerar desenvolvimento consistente.
Entre experiência e missão pública: a vivência que transforma visão em compromisso com o desenvolvimento do turismo
Essa dimensão ganhou ainda mais força com a presença de Ana Biselli Aidar, em um momento especialmente significativo de sua trajetória.
Recém-saída da presidência executiva da Resorts Brasil, onde construiu uma atuação relevante para o fortalecimento do setor, Ana assume agora a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, ampliando sua atuação para a esfera pública.
Ao compartilhar sua trajetória, conectou sua história pessoal à experiência vivida a partir do contato com o trabalho desenvolvido por Alcione no sertão — uma vivência que redefiniu sua forma de enxergar o papel do turismo.
Em um relato que articulou percurso profissional e visão de futuro, trouxe ao centro da discussão o turismo como instrumento de transformação real, capaz de gerar desenvolvimento onde ele é mais necessário.
“A experiência que vivi a partir do trabalho desenvolvido pela Alcione mudou a minha forma de enxergar o turismo. Ela me mostrou, na prática, que desenvolvimento só é real quando transforma a vida das pessoas no território.”
A partir dessa vivência, reforçou sua decisão de atuar no setor público com um propósito claro: fortalecer a conexão entre iniciativa privada e governo como caminho para gerar impacto contínuo, estruturado e de longo prazo.
Sua fala evidenciou um momento relevante para o setor, em que a articulação entre estratégia, operação e políticas públicas se torna fundamental para ampliar o alcance do turismo como vetor de desenvolvimento econômico e social.
O encerramento consolidou, assim, não apenas uma reflexão, mas uma direção: quando estratégia, operação e propósito se alinham, a hospitalidade deixa de ser apenas experiência — e passa a ser agente de transformação.
Edição por Julia Marques
14/05/2026
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