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O que parecia uma moda restrita a São Paulo ou a redes de hotéis gigantes agora é uma realidade nas praias mais cobiçadas do país. E por que isso está acontecendo? Simples: o viajante mudou.
O turista agora é outro
O turista de hoje organiza o voo, escolhe o quarto e agenda o passeio, tudo pelo celular. Para essa geração, pagar com um QR Code ou uma carteira digital não é inovação; é o esperado. É o caminho natural. Uma pesquisa recente (PiniOn 2025) mostrou o óbvio: 89% dos brasileiros usam o celular para pagar contas. Se o turista quer pagar assim, o dono da pousada que não oferece o meio de pagamento... bom, ele corre o risco de perder a reserva. Simples assim.
A evolução: do PIX ao Cripto
A revolução começou, claro, com o PIX. Para o setor de turismo, foi um divisor de águas. Agilidade, custo quase zero, dinheiro na conta na hora. Quase toda pousada no Nordeste aderiu. Mas o PIX foi só o começo. Depois vieram as carteiras digitais (apps), os links de pagamento, o check-in automático. Agora, o passo mais ousado: cripto.
Parece exagero? Não para o turista estrangeiro. Para um europeu ou americano, pagar com o valor do Bitcoin pode ser mais prático e barato do que lidar com câmbio e taxas de cartão internacional. Para o dono da pousada, é uma forma de atrair esse público global e, de quebra, passar uma imagem de modernidade.
Isso é para os pequenos também?
E não pense que isso é coisa de hotel grande. A verdadeira mudança está nos pequenos negócios. Startups e fintechs criaram soluções fáceis que integram sistemas de reserva com todo tipo de pagamento, de PIX a cripto, sem custos absurdos. Isso nivela o jogo. O dono de uma pequena pousada em Maragogi agora consegue ser tão moderno quanto uma rede internacional.
Mas é tudo um mar de rosas? Claro que não.
Existem barreiras. O principal é o desconhecimento. Muitos empresários ainda têm medo da volatilidade das criptomoedas ou simplesmente não entendem como funciona. Outra barreira significativa é a contábil e fiscal. Embora o Marco Legal de 2023 tenha trazido segurança jurídica, a Receita Federal exige a declaração dessas operações. Para o pequeno empresário, que muitas vezes cuida da própria contabilidade, isso adiciona uma camada de complexidade. A solução, novamente, tem vindo das fintechs, que oferecem extratos e relatórios já formatados para facilitar a declaração de impostos, tratando o recebimento em cripto como qualquer outra venda digital. E tem a infraestrutura. Vamos ser honestos: o sinal de internet em algumas das áreas turísticas mais lindas do Nordeste ainda é sofrível. Não dá para ser 100% digital sem 5G ou fibra óptica de qualidade. Aqui, outra tecnologia disruptiva entrou em jogo: a internet via satélite de baixa órbita, como a Starlink. Em locais remotos como Atins, nos Lençóis Maranhenses, ou em praias isoladas da Península de Maraú, onde o 4G mal chega, a internet via satélite agora permite que pousadas tenham conexões estáveis. Essa estabilidade é o que viabiliza não apenas as reservas online, mas também os pagamentos instantâneos via PIX e cripto, conectando paraísos isolados à economia digital global.
O futuro é (bem) vindo
A próxima fronteira, já em teste em alguns locais, é a tokenização da experiência turística. Imagine comprar um "passe" em forma de NFT que dá direito a cinco diárias na alta temporada, ou receber loyalty points (pontos de fidelidade) em forma de um token próprio da pousada, que pode ser trocado por passeios de buggy ou jantares. Isso já deixou de ser ficção científica e está sendo implementado por negócios que veem a tecnologia não como um fim, mas como um meio de fidelizar clientes. Logo, logo, reservar e pagar sua estadia no Nordeste sem tocar em dinheiro ou cartão físico será o padrão. O consumidor quer autonomia. Ele quer flexibilidade. O negócio que entender isso primeiro, sai na frente. Não se espante se, na sua próxima viagem, a plaquinha de "Aceitamos PIX" ao lado da recepção tiver um QR Code de Bitcoin ao lado. A hospitalidade brasileira continua a mesma, mas agora com um upgrade tecnológico. O charme rústico da taipa e do coco na praia não está sendo perdido; está sendo complementado pela eficiência do QR Code e da blockchain. O Nordeste de 2025 prova que tradição e inovação radical podem, sim, andar de mãos dadas, servindo uma caipirinha gelada paga com uma transação global instantânea.
Edição por Paulo Marques
29/11/2025
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