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O que aconteceria se a noção de tempo deixasse de organizar a vida das pessoas? Esta é uma das questões propostas pela distopia contemporânea Agora, baseada na obra de Cecilia Ripoll e direção de Chia Rodriguez, que tem sua temporada de estreia no Centro Cultural São Paulo (CCSP), de 17 a 26 de abril. No elenco, estão Sarah Lessa e Vitor Albuquerque.
Na trama, em uma realidade distópica na qual o tempo foi abolido, uma antiga loja de relógios resiste, espremida entre duas farmácias, como vestígio de um mundo que já não sabe mais marcar horas.
Através de uma fábula fragmentada e sem horizonte, as personagens atravessam uma sociedade ansiógena em que o agora se tornou mercadoria e convidam o espectador a reconhecer o quanto essa distopia já se parece com o nosso presente.
Sobre a ideia da obra, Cecília Ripoll diz: “Enquanto está preso no engarrafamento, você aproveita para adiantar o máximo de tarefas pelo celular. Enquanto almoça, você aproveita para pagar um boleto que foi completamente esquecido. Isso é um dia normal? Subitamente, estamos adiantando o máximo de coisas possível, mas por que precisamos fazer isso mesmo? A simultaneidade compulsória da comunicação parece estar nos levando a extinção da noção de tempo. Imagina uma história fictícia na qual a percepção de tempo vai deixando de existir. Para além de pensar a progressiva aceleração do tempo, queremos abrir perguntas sobre o ilimitado processo de otimização das nossas vidas”.
Já a diretora Chia Rodriguez conta que já sente que as pessoas vivem em uma espécie de colapso do tempo. “Sinto que já estamos em um presente como um ‘agora’ absoluto que não permite elaboração. E, diferente do agora usado de modo geral para trazer a presença, como algumas práticas propõem, trabalhamos o agora como um imperativo, como a única forma de se manter os encontros: fique ligado no agora do outro, tudo é postado agora, me segue que assim você saberá onde estou. O agora como campo de disputa da presença e da comparação”, revela.
As farmácias na distopia, ainda de acordo com a encenadora, surgem como uma “alegoria dessa promessa contemporânea de solução imediata. Elas não curam apenas sintomas, mas oferecem pertencimento, estabilidade, uma espécie de autorização para existir no presente. E a memória também é atravessada por poder, dinheiro e desejo de controle. Quem pode pagar ajusta o passado”, acrescenta.
Ficha Técnica
Direção Geral: Chia Rodriguez
Dramaturgia: Cecília Ripoll, Chia Rodriguez, Gustavo Nolla, Sarah Lessa e Vitor Albuquerque
Baseado na obra de Cecilia Ripoll
Direção Assistente: Gustavo Nolla
Idealização e Realização: Sarah Lessa
Atuação: Sarah Lessa e Vitor Albuquerque
Orientação de Jogo e Comicidade: Bárbara Salomé
Assistência de Orientação Gestual: Laura Puche
Desenho de Luz: Dimitri Luppi
Trilha Sonora: André Papi
Direção de Arte e Design Gráfico: Victor Paula
Operação de Luz: Karen Mezza
Operação de Som: Nick Guaraná
Produção: Corpo Rastreado
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Sinopse
Uma atriz se depara com uma antiga loja de relógios espremida entre duas farmácias, e, intrigada com a imagem, passa a investigar se ainda é possível medir o tempo.
Serviço
Agora, com direção de Chia Rodriguez e baseado na obra de Cecilia Ripoll
Local: Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1000 - Liberdade
Espaço Cênico Ademar Guerra - Grid Caverninha.
Temporada: 17 a 26 de abril de 2026
Horários: 17, 18, 19, 22, 23, 24, 25 e 26/04 às 20h
18 e 25/04 às 17h.
Ingresso: Entrada Franca
Bilheteria: Retirada de ingressos a partir das 14h do dia anterior (Virtual e presencial)
Classificação: 14 anos.
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Edição por Rose Cecilia
14/04/2026
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