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O brasileiro que viaja para fora do país não tem acordo de itinerância que o proteja. Não existe um "roaming grátis" como na União Europeia: assim que o avião pousa em Orlando, Lisboa ou Buenos Aires, o celular entra numa rede estrangeira e passa a valer outra tabela de preços.
Este guia mostra o que se paga de fato, quais são as alternativas reais e — o ponto que quase nenhum comparativo aborda — como continuar recebendo ligações e códigos de verificação por SMS estando do outro lado do mundo.
Por que o brasileiro paga roaming em todo lugar?
Porque o Brasil não integra nenhum bloco de itinerância. Um cidadão alemão que viaja para Portugal usa o próprio plano sem custo adicional, por força da regulação europeia. Um brasileiro no mesmo voo, não. As operadoras brasileiras resolveram isso com pacotes de viagem — Vivo Travel, Passaporte Claro, TIM Viagem — organizados por zona. Segundo comparativos do setor em 2026, as diárias variam aproximadamente assim: Mercosul em torno de R$ 20, Américas e Europa entre R$ 30 e R$ 40, e a zona Mundo (Ásia, Oceania, África) de R$ 45 a R$ 65 por dia. Uma viagem de dez dias aos Estados Unidos, portanto, custa entre R$ 300 e R$ 400 só de conexão. Duas semanas na Europa passam facilmente de R$ 500. Sem pacote ativado, a conta é pior: a cobrança avulsa por megabyte fora das zonas incluídas é o que produz aquelas faturas absurdas que aparecem no noticiário todo verão.
O que é uma eSIM e por que sai mais barato?
Uma eSIM é um chip digital que já está dentro do seu celular. Em vez de cartão plástico, você compra um pacote de dados para o país de destino, recebe um QR Code por e-mail, escaneia, e o aparelho se conecta à rede local pagando preço local. Seu número brasileiro continua ativo — celulares atuais operam duas linhas ao mesmo tempo. Você segue recebendo WhatsApp e ligações no seu número de sempre, enquanto os dados passam pela eSIM. A diferença de fundo: você não compra o serviço da sua operadora a preço de exterior, mas um pacote de quem tem acordo direto com as redes locais.
Quanto custa uma eSIM para os destinos mais procurados?
Preços da Simbye,
em dólares, para os destinos que mais recebem brasileiros:
|
Destino |
Plano |
Preço |
|
Estados Unidos |
Ilimitado, 10 dias, com número americano |
US$ 24,99 |
|
Estados Unidos |
Ilimitado, 30 dias, com número americano |
US$ 44,99 |
|
Europa (45 países) |
20 GB, 30 dias, com número europeu |
US$ 29,99 |
|
Portugal |
10 GB, 30 dias (somente dados) |
US$ 14,99 |
|
Argentina / Chile |
a partir de 1 GB, 7 dias |
US$ 2,99 |
Dez dias nos Estados Unidos com dados ilimitados custam cerca de US$ 25 — algo em torno de R$ 135 na conversão atual. Contra R$ 300 a R$ 400 em diárias de pacote de operadora, a diferença fala por si.
Uma eSIM de viagem recebe ligações e SMS?
Na esmagadora maioria dos casos, não — e é
justamente aqui que quase todo comparativo para.
Quase todas as eSIM de viagem são somente
dados. Não têm número, portanto não recebem chamada nem SMS. Para navegar e
usar WhatsApp isso não incomoda. Incomoda no dia em que o banco manda o código
de autorização por SMS, em que o hotel tenta ligar para confirmar a reserva, ou
em que um serviço americano exige um número local no cadastro.
Poucos fornecedores oferecem eSIM com número
de telefone real. A eSIM dos Estados Unidos da Simbye inclui um número americano (+1) de verdade,
na rede AT&T, com ligações e SMS ilimitados dentro do país. O número fica
no próprio perfil da eSIM — ou seja, toca no aplicativo de telefone normal, sem
instalar nada e sem depender de VoIP.
Existem também versões com número britânico (+44), tailandês (+66) e um número europeu (+33) válido em 45 países.
E para ligar de volta para o Brasil?
Este é o detalhe que costuma passar batido, e
vale conhecer: no plano americano, as chamadas para o Brasil são ilimitadas
— fixo e celular, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo. Consta assim na tabela
oficial de tarifas internacionais da operadora.
Na prática: o filho em intercâmbio nos Estados
Unidos liga para casa quantas vezes quiser, sem contar minutos e sem depender
de wi-fi.
A lista completa cobre 235 destinos, dos quais mais de 50 são totalmente ilimitados. Outros têm minutos inclusos — vale conferir o país específico antes de contar com chamadas ilimitadas para lá.
Quantos gigas são necessários?
Estimativa realista para uma semana, supondo wi-fi na hospedagem:
• 3 GB — mapas, mensagens, buscas pontuais. Suficiente para uso econômico.
• 5 GB — somando redes sociais, stories da viagem e algumas chamadas de vídeo. É a escolha mais comum.
• 10 GB ou mais — se você assiste vídeo fora do wi-fi ou compartilha a conexão com outro aparelho.
• Ilimitado — faz sentido em viagem longa, em roteiro rodando de carro, ou quando você trabalha durante a viagem.
Uma dica que vale mais do que qualquer pacote: baixe os mapas offline antes de embarcar (Google Maps, menu Mapas off-line). A navegação passa a funcionar sem sinal, e nos Estados Unidos, fora das cidades grandes, isso salva a viagem mais de uma vez.
Como ativar, passo a passo?
1. Confira se o aparelho aceita eSIM. iPhone XS ou mais novo, Samsung Galaxy S20 ou mais novo, Google Pixel a partir do 3. Verificação: Ajustes - Dados celulares - Adicionar eSIM. Se a opção não existir, o aparelho não suporta.
2. Compre o plano do destino. O QR Code chega por e-mail em alguns minutos.
3. Instale ainda no Brasil, no wi-fi de casa. Este é o passo mais importante de todos: a instalação exige conexão, e no aeroporto de chegada é exatamente o que falta.
4. Ao desembarcar, ative a eSIM nos ajustes e desligue os dados do chip brasileiro, para ele não entrar em roaming sem você perceber.
Não é preciso enviar documento nem passar por verificação de identidade: a compra funciona como qualquer outra pela internet, e o pagamento é único — não há assinatura para cancelar depois.
Vale a pena para a sua viagem?
Viagem de poucos dias ao Mercosul: compare com a diária do seu pacote. Em
roteiro curto, às vezes a operadora resolve.
Estados Unidos, Europa, Ásia: a eSIM ganha com folga. Dez dias de dados
ilimitados por cerca de US$ 25 contra R$ 300 e mais em diárias não é uma
escolha difícil.
Se você precisa ficar acessível de verdade — trabalho, família, reservas, códigos de
banco — o plano com número real é o único que resolve. Uma eSIM somente dados
não recebe aquela ligação, por mais gigas que tenha.
E o gesto que não pode ser esquecido, qualquer
que seja a escolha: instalar a eSIM antes de sair de casa.
Edição por Julia Marques
05/08/2026
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