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O piloto cearense Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, que tirou o brevê aos 44 anos, concluiu no Ceará, em 12 de setembro de 2026, uma volta ao mundo solo em monomotor iniciada em 15 de março. A expedição durou 182 dias e, somou 77 mil quilômetros, 297 horas de voo e pousos em 33 países de cinco continentes.
Frota criou o Frotas Pelo Mundo como um diário de viagem, que passou a documentar a preparação e o percurso da viagem. Ele desenvolveu o projeto enquanto conciliava a carreira no mercado financeiro com a vida familiar.
A aviação fazia parte de seus interesses desde a infância, mas a decisão de aprender a pilotar veio na vida adulta. Depois do brevê, a ideia de voar cada vez mais longe ganhou dimensão até se tornar um plano de atravessar o planeta. O intervalo entre as duas etapas importa para esta história: Frota já tinha uma profissão, esposa e filhos quando começou a organizar uma ausência de meses e uma viagem que dependeria de decisões técnicas, financeiras e pessoais.
A experiência de começar projetos na maturidade também aparece nos dados sobre negócios. Segundo o Monitor Global de Empreendedorismo 2025, divulgado pelo Sebrae em abril de 2026, pessoas com mais de 45 anos representaram 33,7% dos empreendedores iniciais no Brasil. Foi a maior participação dessa faixa etária desde o início da série, em 2000.
O levantamento trata da criação de empresas, mas ajuda a situar uma discussão que vai além do trabalho: como objetivos novos passam a disputar tempo e recursos com responsabilidades já estabelecidas.
Da ideia ao primeiro teste
Em 2022, Frota começou a organizar a expedição em etapas. Antes de definir uma rota pelos cinco continentes, precisava descobrir até onde poderia voar com segurança, quais autorizações seriam necessárias e quanto tempo conseguiria dedicar à preparação. “Desde 2022, a gente vem trabalhando mês a mês, divide o projeto em projetinhos menores”, explica o piloto. Era uma maneira de avançar sem tratar a viagem inteira como uma decisão a ser tomada de uma só vez.
Esse ritmo também precisava caber na carreira. Como gestor de recursos, Frota continuou trabalhando enquanto o plano deixava de ser uma ideia distante e passava a exigir providências concretas. Prazos, disponibilidade financeira e avaliação de riscos, assuntos presentes em sua atividade profissional, também faziam parte da organização da viagem. Na aviação, porém, ele precisava desenvolver conhecimentos específicos e ganhar experiência antes de assumir trajetos mais longos.
Em 2024, fez um voo de Fortaleza aos Estados Unidos e retornou ao Brasil. O percurso de cerca de 15 mil quilômetros, 60 horas de voo e passagem por dez países serviu para testar a aeronave, as comunicações aéreas em inglês e os procedimentos exigidos em aeroportos internacionais. A travessia menor ofereceu respostas que o planejamento em terra não poderia dar. Também mostrou quais pontos ainda precisavam de ajustes antes de uma ausência de quase seis meses.
A aeronave experimental passou por uma revisão de 40 dias. Os tanques das asas foram ampliados, e um reservatório adicional ocupou o lugar do banco traseiro, elevando a autonomia para quase 15 horas. A mudança respondia à distância entre escalas em alguns trechos. Para alcançar regiões com poucas alternativas de pouso e abastecimento, era necessário adequar a estrutura do avião às exigências do percurso.
Frota também precisou considerar a distância da esposa e dos filhos. Ele ainda não havia passado tantos meses longe da família, e o apoio deles entrou no planejamento junto com a rota e o trabalho. A decisão de partir afetaria a rotina de quem ficava. Por isso, a preparação envolveu tanto as condições para viajar quanto as consequências pessoais de passar quase meio ano fora de casa.
O que muda quando se começa depois dos 40
Tirar o brevê aos 44 anos significou aprender uma nova atividade quando Frota já tinha responsabilidades profissionais e familiares estabelecidas. A licença abriu uma possibilidade que só depois ganharia a dimensão de uma expedição internacional. Para quem considera iniciar um projeto nessa fase da vida, sua trajetória traz questões concretas: quanto tempo será necessário para aprender, quais compromissos precisarão ser reorganizados e o que ainda deve ser testado antes de assumir um risco maior?
A preparação lhe deu mais informações sobre os próprios limites. Durante a expedição, o piloto enfrentou falhas de navegação, uma pane elétrica, vazamento de combustível e frio de 22 graus negativos na Groenlândia. Em cada etapa, era necessário avaliar se havia condições de seguir. “O perigo existe e continua lá. Não é porque você venceu uma etapa que pode achar que está tudo resolvido e baixar a guarda”, ressalta.
Nem todas as dificuldades estavam sob seu controle. Autorizações atrasaram a viagem nas Filipinas e mudaram o caminho de volta no México, levando o piloto a retirar a passagem pela América do Sul daquela expedição. Frota havia reservado dias para esse tipo de contratempo. “No planejamento geral, já tinha previsto isso, então deixava em alguns lugares bolsões de reserva de dias”, afirma o gestor.
A disposição para rever uma etapa foi tão necessária quanto o esforço para chegar até ela. O objetivo continuava sendo completar a volta ao mundo, mas o roteiro precisava acompanhar as condições encontradas. A experiência acumulada ajudava a avaliar alternativas; reconhecer o que dependia de terceiros permitia ajustar expectativas e preservar a continuidade da viagem.
Entre aprender a pilotar e concluir a expedição, passaram-se oito anos. A trajetória de Frota não indica que exista uma idade ideal para iniciar um projeto ambicioso. Ela mostra o que foi necessário neste caso: desenvolver a habilidade, medir as exigências do objetivo e ajustá-lo às responsabilidades que já faziam parte da vida. A maturidade aparece nesse conjunto de decisões, que permitiu transformar uma paixão antiga em uma realização construída ao longo do tempo.
Sobre Alex Frota
Alex Frota, conhecido como Alex bacana, é administrador de empresas formado pela Universidade de Fortaleza, com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC. É gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM, com certificações CGA, CFP® e CEA.
Apaixonado por aviação desde a infância, tirou o brevê aos 44 anos. Aos 53, lidera o Projeto Frotas Pelo Mundo, iniciativa com a qual realizou a primeira volta ao mundo solo, em monomotor, feita por um brasileiro cruzando os cinco continentes.
Alex Frota é mais conhecido como Alex Bacana, apelido que ganhou em referência ao personagem da série Armação Ilimitada.
Sobre o Frotas Pelo Mundo
O Frotas Pelo Mundo nasceu como um diário de viagem e se transformou em um projeto de alcance internacional, com comunidade digital ativa e estrutura de produção dedicada. Concluída em setembro de 2026, a jornada percorreu 77 mil quilômetros ao longo de 182 dias, somou 297 horas de voo e teve pousos em 33 países, atravessando cinco continentes. O projeto contou com cobertura multiplataforma e desdobramentos em educação, cultura, tecnologia e impacto social.
Para mais informações, acesse o site, canal do youtube ou pelo instagram.
Fontes de Pesquisa
Sebrae e Anegepe, Monitor Global de Empreendedorismo 2025: https://agenciasebrae.com.br/
Edição por Julia Marques
28/09/2026
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