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Hotelaria vai a Brasília defender compensações e pedir bom senso no debate sobre jornada de trabalho
A hotelaria brasileira intensifica sua articulação institucional diante do avanço das discussões sobre o fim da escala 6x1 e os novos desafios regulatórios já em vigor para o setor

Marcos Vilas Boas, presidente da ABIH-SP e os vice-presidentes Gustavo Jarussi e Latif Abrão Jr., debatem FNRH digital no episódio de estreia da série Pauta Hoteleira. No segundo episódio, três temas trabalhistas ganham destaque: adicional insalubridade, jornada e escala de trabalho. Crédito da foto: Murillo Borba

A hotelaria brasileira intensifica sua articulação institucional diante do avanço das discussões sobre o fim da escala 6x1 e os novos desafios regulatórios já em vigor para o setor. No próximo dia 8 de abril de 2026, dirigentes de associações representativas da hotelaria no país estarão em Brasília para dialogar com membros do Congresso Nacional e pleitear medidas de compensação caso a mudança na jornada seja aprovada em regime de urgência. estreia da nova série Pauta Hoteleira será no dia 14 de abril (terça-feira), junto com o aguardado segundo webinar gravado com o Ministério do Turismo e Serpro, no qual os técnicos do governo respondem às perguntas da audiência do primeiro webinar (com mais de 5 mil visualizações) sobre a FNRH digital, que passará ser obrigatória no dia 20 de abril. O Portal do Hoteleiro, que é plataforma de capacitação e atualização profissional da ABIH-SP, exibirá o segundo episódio da série Pauta Hoteleira, com foco nas questões trabalhistas que impactam e mobilizam a hotelaria, no dia 6 de maio.

União, organização e mobilização hoteleira

A mobilização associativa ganha força num momento em que o governo federal decidiu encaminhar ao Congresso um projeto próprio para extinguir a escala 6x1, com tramitação acelerada, prevendo jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção da remuneração, mas sem sinalizar, até agora, mecanismos de desoneração ou compensação para os setores mais impactados.

Setor quer debate baseado na realidade


Antônio Dias, vice-presidente da ABIH-SP e diretor executivo do Grupo Royal Palm Hotels & Resorts. Crédito da foto: Murillo Borba

Para os representantes da hotelaria no país, o debate precisa ser conduzido com responsabilidade técnica e equilíbrio. “O setor reconhece a importância de se discutir qualidade de vida, valorização profissional e jornadas mais humanizadas, mas alerta que a adoção de mudanças amplas, sem transição planejada e sem contrapartidas, pode elevar custos operacionais, pressionar contratações e comprometer a competitividade de uma atividade que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana”resume Antonio Dias, vice-presidente da ABIH-SP.

A posição que será levada ao Congresso é objetiva: decisões dessa natureza precisam ser pautadas pelo bom senso, e não pelo senso comum. A hotelaria quer ser ouvida a partir de dados concretos, da diversidade entre hotéis, resorts e pousadas e das condições reais de operação de um segmento intensivo em mão de obra, essencial para o turismo, para a geração de emprego e para a arrecadação.

NRs 15 e 16 ampliam atenção sobre a operação

O tema trabalhista se torna ainda mais sensível porque as atualizações das NRs 15 e 16, vigentes desde 3 de abril de 2026, reforçaram a necessidade de manter disponíveis os laudos caracterizadores de insalubridade e periculosidade aos trabalhadores, sindicatos e inspeção do trabalho. Vale conferir, dia 9 de abril (próxima quinta-feira), o webinar gravado com o advogado Leonardo Volpatti orienta como os meios de hospedagem devem proceder em relação ao adicional de insalubridadeO informe jurídico elaborado para o setor ressalta que, sem laudos segmentados por função, setor e ambiente, os empreendimentos ficam mais vulneráveis a fiscalizações, pedidos individuais e ações coletivas. No webinar sobre o tema, Volpatti recomenda diferenciar tecnicamente os banheiros dos quartos dos sanitários de áreas comuns de grande circulação, ponto considerado decisivo para a segurança jurídica das empresas.

Mensagem ao poder público

Ao levar essa agenda a Brasília, a hotelaria pretende contribuir para uma construção legislativa mais responsável, que proteja o trabalhador sem desorganizar a operação de um dos setores mais relevantes da economia do visitante. O recado é claro: modernizar relações de trabalho é legítimo, mas isso exige escuta qualificada, transição viável e medidas compensatórias capazes de evitar perda de competitividade, retração de investimentos e riscos ao emprego formal.

Edição por Julia Marques

Data de publicação desta Matéria 08-04-2026
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