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Devotos de Nossa Senhora Aparecida ampliam a experiência de fé no Santuário Frei Galvão
A poucos quilômetros do Santuário Nacional, a terra natal do primeiro santo brasileiro recebe mais de 250 mil visitantes por ano e se firma como extensão natural da romaria no circuito da fé do Vale do Paraíba

Foto: Divulgação Santuário Frei Galvão

Outubro é o mês em que o Vale do Paraíba se torna o centro da fé católica no Brasil. Os romeiros que chegam a Aparecida para celebrar a Padroeira no dia 12 encontram, a poucos quilômetros dali, em Guaratinguetá, outro destino que completa a peregrinação: o Santuário Frei Galvão, na cidade onde nasceu o primeiro santo brasileiro. Para quem deseja ampliar a experiência religiosa, a visita ao Santuário une a devoção à Mãe de Deus à memória de um santo que dedicou a vida a ela.

O caminho entre os dois santuários já faz parte do roteiro de milhares de peregrinos. Com mais de 250 mil visitantes por ano, o Santuário Frei Galvão vive uma fase de crescimento contínuo: em 2026, já foram contabilizados mais de 136 mil visitantes e 2.918 ônibus de romeiros até agosto. Em julho, o Santuário registrou o maior número de ônibus de sua história, com 760 veículos no mês, superando a marca anterior de 751, alcançada em janeiro deste ano. Muitas dessas caravanas fazem o percurso no mesmo dia: rezam diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida e seguem para Guaratinguetá para conhecer a terra natal de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão e pedir sua intercessão.

Devoto de Nossa Senhora, o primeiro santo brasileiro celebra seu dia no mês da Padroeira

A ligação entre os dois destinos vai além da geografia. Frei Galvão foi profundamente devoto de Nossa Senhora. Em 1766, consagrou-se a Maria como seu “filho e escravo perpétuo”, em um documento que assinou com o próprio sangue. O Recolhimento que fundou em São Paulo, origem do Mosteiro da Luz, foi dedicado a Nossa Senhora da Conceição. E a frase escrita nas famosas Pílulas de Frei Galvão é uma oração à Imaculada: “Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta; Mãe de Deus, intercede por nós”.

Não por acaso, o dia do santo é celebrado em 25 de outubro, no mesmo mês dedicado à Padroeira do Brasil, treze dias depois da festa de Nossa Senhora Aparecida. A Festa de Frei Galvão 2026 começa no dia 16 de outubro, com o tema “Vai e reconstrói! Com Frei Galvão, edificando vidas e moradas”. Em 2025, a festa reuniu 90.400 pessoas e 209 ônibus cadastrados, recorde histórico do evento. Para este ano, a expectativa é superar 120 mil peregrinos.

Acolhimento que não para

Pertencente à Arquidiocese de Aparecida e conduzido desde 2021 pelos Frades Menores, a mesma ordem religiosa de Frei Galvão, o Santuário tem a acolhida como centro de sua missão. Os frades se organizam para que sempre haja alguém disponível para receber os peregrinos: são 13 horas diárias de acolhimento pastoral ininterrupto, com um frade ou uma irmã à disposição para conceder bênçãos, unção dos enfermos e orientação espiritual.

A vida sacramental acompanha esse ritmo. São 76 missas por mês, com média de mil fiéis em cada celebração dominical, e até 4h30 de confissões por dia, com o apoio dos freis do Seminário Frei Galvão, que chegam a mobilizar quatro frades ao mesmo tempo nos momentos de maior procura. A Novena Perpétua a Frei Galvão é celebrada todos os dias.

Essa estrutura é sustentada por 681 voluntários atuando em 11 ministérios, da liturgia à recepção dos romeiros, ao lado de 6 frades, 2 irmãs franciscanas e dezenas de colaboradores. “Quem chega é recebido como irmão”: esse é o princípio que orienta a acolhida franciscana no Santuário.

O que o romeiro encontra no Santuário

Além da igreja, a primeira dedicada a Frei Galvão no Brasil, o peregrino percorre espaços que convidam à oração e à memória do santo. Na Alameda Frei Galvão está a imagem monumental do santo, com 8 metros de altura e 1.500 kg, abençoada pelo Papa Francisco em 2013, em Aparecida. A Fonte do Mosteiro da Luz foi construída com pedras retiradas de um poço feito pelo próprio Frei Galvão há mais de dois séculos, ligando a cidade onde ele nasceu ao mosteiro onde viveu e está sepultado.

O devoto que vem de Aparecida encontra também a Capela de Nossa Senhora Aparecida, que reforça o elo entre a Padroeira e o santo guaratinguetaense. Na Capela do Santíssimo, a Porta da Humildade, réplica da porta do Santuário da Natividade, em Belém, tem apenas 1,20 m de altura e exige que o visitante se curve para entrar. Do outro lado, estão a imagem do Menino Jesus de braços abertos e uma pedra da gruta de Belém, autenticada pelo Comissariado da Terra Santa, que pode ser tocada. O percurso inclui ainda o Sino Tem Deus, fundido em 2022, no bicentenário da morte do santo, que o devoto é convidado a tocar em um gesto de oração e confiança.

O primeiro santo do Brasil

Antônio de Sant’Anna Galvão nasceu em Guaratinguetá em 1739, tornou-se frade franciscano e viveu quase 60 anos em São Paulo como confessor, pregador e porteiro do Convento São Francisco. Fundou o Recolhimento que daria origem ao Mosteiro da Luz, obra que projetou e dirigiu por décadas, razão pela qual é reconhecido como Patrono da Construção Civil. Ainda em vida, foi chamado de “homem da paz e da caridade” pelo Senado de São Paulo, pelo consolo que levava aos doentes e aos pobres. Morreu em 1822 com fama de santidade.

Beatificado por João Paulo II em 1998, foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 11 de maio de 2007, em São Paulo, tornando-se o primeiro santo nascido no Brasil. Desde então, a devoção a Frei Galvão cresce ano após ano, alimentada pelos relatos de graças alcançadas por sua intercessão.

As Pílulas de Frei Galvão

A mais conhecida expressão dessa devoção são as Pílulas de Frei Galvão, que nasceram justamente de uma oração a Nossa Senhora. Segundo a tradição, o frade escreveu em pequenos papéis a invocação à Virgem, enrolou-os como pílulas e os entregou a um homem cuja esposa corria risco de vida em um parto difícil. A criança nasceu normalmente. Pouco depois, um jovem que sofria com cálculos renais recebeu pílulas semelhantes e ficou curado. Por isso, Frei Galvão é invocado como auxiliador das gestantes e parturientes.

Feitas de papel de arroz comestível, as pílulas são tomadas durante uma novena de oração, no primeiro, no quinto e no nono dia. No Santuário, o Apostolado das Pílulas de Frei Galvão as produz e distribui gratuitamente, todos os dias, das 7h às 18h. Somente em 2025, foram produzidas mais de 573 mil pílulas, que chegaram também a paróquias de todo o país. O Santuário reforça que ninguém está autorizado a vendê-las em seu nome.

Serviço
Santuário Frei Galvão

Endereço: Av. José Pereira da Cruz, 53, Jardim do Vale I, Guaratinguetá (SP)

Funcionamento: todos os dias, das 7h às 18h

Distribuição das Pílulas: todos os dias, das 7h às 18h (até 2 novenas por devoto)

Telefone: (12) 3125-1444

Site: www.santuariofreigalvao.com

Edição por Julia Marques

Data de publicação desta Matéria 09-10-2026
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